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“A Verdadeira História de Antônio Alves de Araújo, Tutu Caramujo”

Antônio Alves de Araújo, imortalizado pelo poeta Carlos Drummond de Andrade no poema “Itabira”, com a alcunha de Tutu Caramujo, não foi um simples ou qualquer Presidente da Câmara Municipal de Itabira de 1869 a 1872. Também não foi apenas um restaurador de cartilhas, vendedor de livros, comerciante de laranjas. Não foi como alguns mal informados diziam ser: “pessoa pessimista, que não acreditava no progresso da cidade”.

O bem da verdade, ele foi um influente líder político, monarquista em uma época que exigia caráter, boa formação. Era motivo de orgulho ser filho de família digna e tradicional. Tutu Caramujo foi um cidadão competente, de idéias arrojadas, responsável pelo Correio de nossa cidade. Um dos fatores que comprovam a sua competência é o seguinte fato: mesmo sendo um Monarquista declarado, no momento em que a República foi proclamada, os seus adversários do Partido Republicano de Itabira, reivindicaram a sua permanência frente ao Correio.

Conforme relatava a minha avó Herócildes Alves de Araújo Reis – “Inhazica” (uma de suas netas), era relevante a importância da figura de seu avô na história da pacata cidade.

Em momento algum ela disse ser ele um pessimista, ranzinza e outros atributos que pessoas mal informadas comentaram no decorrer dos tempos e que infelizmente ainda comentam pela falta de conhecimento ou mesmo ignorância.

Minha avó descrevia Tutu Caramujo como um cidadão zeloso e preocupado com o futuro da cidade.

Tinha um humor que lhe era peculiar. Recitava versos para os seus fregueses que freqüentavam a pequena venda localizada na Rua Direita, hoje Rua Tiradentes, 271, onde atualmente funciona a tradicional Farmácia Cardoso.

Conforme relato de sua bisneta Cecília Reis Sacinely, assim era um dos versos de sua autoria “colchetes linhas e agulhas é só para dar, a todos os fregueses que aqui vierem comprar”.

Sempre que eu bem menino, quando caminhava para a Matriz do Rosário, ao passar pela Tiradentes, ela dizia: “aqui morava meu avô Antônio Alves de Araújo, cidadão que fez história em nossa cidade, um poliglota, competente comerciante, homem amante da cultura”

Acredito não ser pela ação de comerciante que o Poeta o imortalizou em seus versos, mas pelo respeito a um cidadão que amava Itabira e preservava a cultura.

Quanto ao apelido “Tutu Caramujo”, era pelo seu jeito de ser: pessoa reservada, calculista, desconfiada como todo o autêntico mineiro.

Portanto o legado de pessimista que ficou registrado na história oral, de maneira alguma procede conforme relatos de familiares e de pessoas que conhecem história de nossa Itabira.

         “Itabira”
Cada um de nós tem seu pedaço
no pico do cauê.
Na cidade toda de ferro.
As ferraduras batem como sinos.
Os meninos seguem para a escola.
Os homens olham para o chão.
Os ingleses compram a mina.
Só, na porta da venda, Tutu Caramujo 
cisma na derrota incomparável.
          Carlos Drummond de Andrade

 

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