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APRENDENDO NO VELHO MUNDO

Acabo de chegar de viagem pelo leste europeu. Foi uma experiência fantástica que gostaria de compartilhar. Viajando pelo velho continente entendemos melhor aquilo que estudamos e sentimos melhor a caminhada do ser humano, as tradições que herdamos e os valores da cada época. Revivemos grande parte das agruras da primeira e segunda guerra mundial, o quanto este povo sofreu e o quanto também, é capaz de se reconstruir. Visitamos os campos de concentração, as câmaras de extermínio e os paredões de fuzilamentos.

Outra constatação sentida foi a diferença de progresso dos mundos capitalista e comunista, hoje unidos mas, guardando ainda resquícios da história. Nesta linda região, Budapeste, Viena, Praga, Varsóvia, Cracóvia, existiam culturas neolíticas de cerca de 6500 anos, onde os arqueólogos escavaram colônias de diferentes culturas da idade da pedra, do bronze e do ferro e os contatos fortes com Roma a partir do século I ao V de nossa era. É um povo fantástico que procura preservar e restaurar toda trajetória, através das riquezas arquitetônicas das igrejas, museus maravilhosos e lindos parques de preservação ambiental. Podemos sentir a força das religiões através dos impérios, do acúmulo de riquezas depositadas nos palácios, castelos e nas próprias igrejas. Uma época em que poucos mandavam e os demais eram comandados e trabalhavam a serviço de seus reis. Era fácil se manter no poder, pois, conhecimento e riqueza só a cúpula governante possuía e quem não tem informação não sabe reivindicar, ademais, os reis sabiam agradar o povo, não faltava comida nem divertimento alienante, próprio das épocas.

É uma região de planícies cuja altura máxima não passa de 300 metros, banhada por rios caudalosos e clima propício a cultura de vegetais, muito bem aproveitada, mecanizada e moderna. Uma região de muitas indústrias na área de transporte, elevadores e máquinas pesadas, porém um grande ícone da economia é o turismo que diariamente milhares de pessoas pagam para visitar e conhecer.

Porém o que mais me entusiasmou e encheu me de inveja, foi o transporte publico, bondes, ônibus, metrôs e trens, modernos, ligeiros e elegantes. Cidades pequenas não falta transporte de qualidade.

Outra constatação foram as estradas e rodovias, bem cuidadas e que dão prazer em trafegar. De passagem pela Alemanha, conhecemos um dos mais modernos aeroportos da Europa, na cidade de Munique onde tudo funciona apoiado em tecnologia de máquinas e robôs. Em Berlim cidade de 800 anos, foi a capital do reino da Prússia, podemos sentir a ganância humana do poder que dividiu a capital em segmentos submissos aos aliados a partir de 1945, fim da segunda guerra. O mais incrível é a capacidade de reconstrução deste povo e hoje Berlim é uma cidade reconstruída após guerra, moderna e guardando grande parte de sua arquitetura milenar. Neste particular sentimos também, as diferenças tecnológicas dos dois lados do muro destruído em 1989 unindo as duas Alemanhas.

Em conversas com pessoas e observações, tudo isso foi reconstruído e está cada vez mais moderno, porque seu povo tem e nunca deixou de receber uma educação de qualidade, tanto do lado capitalista como do lado socialista. Apesar das guerras e da ganância econômica, um povo educado nunca perde seus valores e sabe reconstruir suas cidades, assim como sua vida. Vamos nos lembrar que o modelo profissionalizante da nossa escola gerencial de Itabira, foi trazido pelo Sebrae da Áustria e Alemanha. As vezes fico me perguntando: será que vamos precisar de uma guerra ou um grande infortúnio generalizado, para enxergarmos que somos os responsáveis pela construção de nosso país, de nossa cidade e de nossas vidas? Quando será que nossos governantes vão ter a educação como prioridade? Não podemos desanimar, somos um país ainda novo. Plantando diariamente, sementes de empreendedorismo e cidadania, a colheita vai aumentando. Itabira está começando a viver um novo tempo com a emancipação econômica menos dependente das commodities do minério. O projeto Unifei parque tecnológico começa a mostrar uma nova cidade e nossa guerra tem outras armas, tecnologias inovadoras e conhecimentos.

 

Marcio Labruna 

Por Itafatos

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