quarta-feira , 23 agosto 2017
9 de abril de 2013

Aquecimento global vai intensificar turbulência em voos

Apertem os cintos: o aquecimento global deve dobrar a ocorrência de turbulência de céu claro nas viagens aéreas.

Além de mais frequentes, esses sacolejos causados por variação de velocidade de correntes de ar –menos comuns do que a turbulência ligada a tempestades– devem ficar mais intensos até a metade deste século.

Um trabalho, publicado na revista “Nature Climate Change”, usou um supercomputador para simular a ocorrência de eventos atmosféricos em diferentes cenários climáticos e, assim, estimar o impacto das temperaturas elevadas sobre as turbulências.

O grupo identificou que o incremento na frequência pode ficar entre 40% e 170%. Mas o cenário mais provável é que a quantidade de tremores aéreos dobre até a metade deste século –quando, de acordo com projeções, a temperatura terá se elevado em até 2º C e a concentração de CO2 na atmosfera será duas vezes maior do que a do período pré-industrial.

“As variações de temperatura causadas pelo CO2 estão aumentando a velocidade das correntes de ar atmosférico”, explica o climatologista Paul Williams, principal autor do trabalho. “As mudanças climáticas estão acelerando as correntes de ar e levando a mais instabilidade nos voos.”

O trabalho se concentrou na região do Atlântico Norte, mas seus resultados podem valer para outras partes do globo, apesar de haver ainda muitas incertezas.

“O trabalho tem o mérito de chamar a atenção para os efeitos das mudanças climáticas nas turbulências, que não têm sido muito estudados pelos climatologistas”, diz José Marengo, climatologista do Inpe membro do IPCC (painel de mudanças climáticas da ONU).

O tipo de tremor no qual o trabalho se concentrou –as turbulências de céu claro– é o mais problemático para as companhias aéreas.

“Elas são invisíveis para pilotos e satélites e se intensificam no inverno”, explica Manoj Joshi, professor da Universidade de East Anglia e autor do trabalho.

O sacolejo aéreo danifica as aeronaves, atrasa voos, aumenta os custos de manutenção e pode ferir a tripulação e os viajantes. A pesquisa estima o custo anual disso em US$ 150 milhões (cerca de R$ 300 milhões).

A boa notícia é que, nas próximas décadas, muita coisa pode evoluir na tecnologia aeroespacial. “Até a metade do século já será possível detectar esse tipo de turbulência [de céu claro]”, conta Ronaldo Jenkins, coordenador da comissão de segurança de voo do Sindicato Nacional das Empresas Aeroviárias.

FONTE: Folha de São Paulo