segunda-feira , 23 outubro 2017
5 de outubro de 2017

Campanha Salarial

Após pressão do Metabase, Vale se compromete a não aplicar reforma trabalhista   

O grupo Unidade Sindical, formado pelo Sindicato Metabase de Itabira e Região, Sindicato dos Ferroviários do Maranhão (Stefem), Sindicato dos Ferroviários do Espirito Santo (Sindfer) e o Sindicato dos Trabalhadores na Extração de Minério do Rio de Janeiro (SindMinario), reuniu-se na manhã desta quarta-feira (4) para abertura das negociações do Acordo Coletivo de Trabalho (ACT) com a Vale.

No primeiro encontro, a empresa se comprometeu a não aplicar as mudanças da reforma trabalhista e cedeu às pressões feitas pelos dirigentes sindicais.

Durante a negociação, a Vale aceitou a prorrogação da vigência do ACT atual até o dia 30 de novembro, mantendo a data base no dia 1º de novembro e a vigência do acordo por um ano. Também aceitou a manutenção do plano de saúde, porém a empresa afirmou que pretende fazer propostas de ajustes no plano odontológico. A principal proposta aceita pela Vale foi incluir neste acordo apenas os pontos que forem de consenso entre a empresa e os sindicatos. 

Após acordo com os sindicalistas, um novo encontro acontece nos dias 17 e 18 de outubro, com a discussão inicial pelas cláusulas econômicas.    

Para o presidente do Metabase de Itabira e Região Paulo Soares de Souza, a pressão do Metabase fez com que a Vale recuasse na implantação da reforma trabalhista.

“Nós deixamos bem claro pra Vale que nós não aceitaríamos a perda de direitos e benefícios que conquistamos depois de muitos anos de luta. Chegamos na negociação mostrando que estamos dispostos a fazer um enfrentamento pesado, para que nenhum dos nossos trabalhadores saiam prejudicados”, defendeu o sindicalista.  

Em relação as horas in itinere, que são as horas extras contabilizadas quando o empregado se desloca de sua residência ao trabalho e vice e versa, em Itabira não entra no acordo coletivo. Por tanto a direção do Metabase está exigindo da empresa a manutenção deste benefício e a sua inclusão nas negociações do acordo específico.

“O pagamento das horas in itinere em Itabira é fruto de uma fiscalização do Ministério do Trabalho e por isso não está no acordo coletivo, mas, assim como o Metabase cobrou o período retroativo na via judicial, não vamos aceitar o corte do benefício que deve ser garantido através do acordo especifico”, ressaltou a coordenadora do setor jurídico do Metabase, a advogada Rosilene Félix, que também acompanhou as negociações com a empresa.

Pauta- Dentre as principais reivindicações econômicas feitas à Vale, a Unidade Sindical cobra o reajuste salarial de todos os empregados, mediante aplicação de 100% da inflação acumulada, apurada pelo Índice Nacional de Preço ao Consumidor (INPC), medido pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), no período de 1º de novembro de 2016 a 31 de outubro de 2017, mais 5% de ganho real.

O piso salarial cobrado pelo grupo é de R$ 3.744,83 decorrente do incremento do reajuste inflacionário devido pela empresa aos trabalhadores e ainda com base na média nacional dos pisos pesquisados pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudo Socioeconômicos (DIEESE).

Quanto ao cartão alimentação, a Unidade Sindical cobra um repasse de R$ 1.135,58. Este valor se referência principalmente pela pesquisa nacional da cesta básica do Dieese para uma pessoa, aplicado para número médio de pessoas por domicílio.

Na pauta de negociação também foi cobrado a manutenção de todos os direitos e benefícios que estão no acordo em vigência. Estas cláusulas impedem que a Vale coloque em prática ações que prejudiquem os trabalhadores, devido a nova legislação trabalhista.