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Cincoenta e dois anos de trajetória

Rememorando a história de ITABIRA nos últimos cincoenta e dois anos, podemos concluir várias idéias e criar novas propostas. Em 1962 quando aqui cheguei, atraído por uma proposta profissional da CVRD, Itabira era uma cidade pacata, alegre, comandada por alguns feudos familiares e sob a liderança total da CVRD. Com a revolução de 1964 e a instalação do governo militar no Brasil, Itabira começou a se transformar muito rapidamente. A CVRD que já tinha seu planejamento, por ser estatal e estar em um segmento estratégico da economia mundial, mereceu grande atenção do poder central. Aceleraram-se as obras de expansão da produção e teve início ao inchaço da população pela chegada de muitos profissionais. A empresa começou a perder o pleno domínio da cidade, apesar de atrair para dentro dela todas as lideranças despontadas na cidade. Concomitantemente neste período, é instalada em Itabira a sede da Diocese que, apesar do governo central forte, não consegue impedir o desenvolvimento das lideranças eclesiais de base e a criação das associações comunitárias. A empresa começa a ser questionada (meu pai trinta anos e eu) eram os filhos dos empregados da empresa querendo preferência no emprego.

Itabira começa nesse período a mostrar seu diferencial e passa a ser referência nacional na alfabetização através do MOBRAL, programa criado pelo governo militar. É realizada a primeira olimpíada infantil da região com muito sucesso. É criada a primeira cooperativa de crédito, (hoje CREDIVALE). É instalada no município uma extensão da PUC/MG para formar docentes e, um grupo de técnicos da CVRD, tenta trazer o curso de engenharia para a cidade, a partir da fundação Farquar de Governador Valadares. A década de 70 foi muito rica e através de promoção da UNESCO, nossa Itabira fica nas primeiras colocações do Concurso Cidade Educativa. Ainda nessa década por necessidade de apoio ao grande número de técnicos na cidade, é criada e construída a ATIVA.  A empresa CVRD começa a bater recordes de exportação do rico solo itabirano.  Novas unidades são criadas e Itabira começa a despertar para o fantasma do futuro. O minério não dá duas safras e, como será Itabira com a exaustão dele?

Sob a liderança do ROTARY de Itabira, no limiar da década de 80, deflagra-se a campanha de AMOR A ITABIRA.  Desperta no itabirano o sentimento de cidadania.  É criado o primeiro distrito industrial e pioneiramente a primeira agência de desenvolvimento do Estado.  A ACITA traz para si a responsabilidade de capitanear o movimento e é lançado o projeto ITABIRA 2025, ou seja, como será Itabira quando a ACITA completar 100 anos e acontecer a exaustão mineral. Naquela época a CVRD tinha perspectivas de encerramento das atividades minerais em 2025.  Foi criada a COOPERVALE, fruto da necessidade de criar no município um referencial de preços. Nesse período também, teve inicio uma grande arrancada de obras e de transformação do hospital Nossa Senhora das Dores, através de parceria com a CVRD e toda a comunidade.

Na década de 90 consolidou-se a luta política pelos royalties do minério e foi criada a FUNCESI, que nasceu apoiada na trajetória vitoriosa da faculdade de Itabira que era mantida heroicamente pela FIDE.

Nessa época também a ACITA marcou uma das suas maiores realizações de construção do futuro dentro das premissas do projeto ITABIRA 2025. Foi criada a ETFG/SEBRAE, que inaugurou no município um “up grade” de qualidade em toda a rede educacional e despertou a cultura do empreendedorismo.

Hoje quando milhares de jovens itabiranos têm um cardápio de oportunidades, boas escolas, faculdades e uma universidade federal, aumenta muito as oportunidades de realizações, no entanto, é preciso voltar o olhar para o passado, sentir gratidão pelo cenário presente e conhecendo a trajetória, saber que futuro se constrói. A luta continua cada vez mais acirrada pelo dinamismo e desafios dos novos cenários que vão se apresentando em nossa vida.

Itabira tem passado e muitos heróis, mas o que importa é o presente e o futuro, porque estamos na época do conhecimento e da tecnologia e não se tem sucesso por acaso ou pelo nome e tradição. É preciso ter competência, ter formação administrativa e experiência comprovada. Quando vejo o quanto Itabira progrediu e o quanto poderia ter já caminhado e o quanto sua população carece, não vejo outro caminho, senão, investir na educação e na disseminação da cultura empreendedora. Precisamos de lideranças públicas e privadas de qualidade e competência. . O momento é agora, temos o principal que é dinheiro e não sabemos até quando. Não vamos perder essa oportunidade, devemos garimpar na sociedade os profissionais adequados, os jovens empreendedores e apoiando suas iniciativas convencê-los a serem nossos administradores do futuro. Façamos isso por amor à causa e pelo futuro de nossos filhos.

Marcio Labruna

 

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