sexta-feira , 22 setembro 2017
17 de maio de 2013

Consumidores estão cada vez mais plugados à internet, com crescimento de 249% em Minas e 163% em BH

Queda de preços justifica a massificação dos produtos

Os brasileiros estão mais conectados do que nunca. Entre 2005 e 2011 o avanço do uso da internet no Brasil foi quase 15 vezes maior do que o crescimento da população com 10 anos ou mais. No mesmo período, o contingente de pessoas que tinham telefone móvel para uso pessoal avançou 11 vezes mais do que o aumento populacional do país. De acordo com a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) de 2011, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), entre 2005 e 2011, a população acima de 10 anos ou mais cresceu 9,7%. Enquanto isso, o número dos que usaram a internet aumentou 143,8% e o dos que possuíam telefone celular pessoal cresceu 107,2%. 

O barateamento dos produtos de TV, som e informática entre 2004 e 2011 contribuiu para a ampliação do acesso à telefonia móvel de uso próprio e à internet via computador em casa. Nesse período, o preço dos televisores caiu 60,8% na Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH), os microcomputadores ficaram 48,3% mais baratos e os aparelhos de som 16,4%. No geral, os preços dos aparelhos de TV, som e informática caíram 48,4% no período, informa o IBGE.

Segundo o suplemento “Acesso à internet e posse de telefone móvel celular para uso pessoal” da Pnad, o uso do computador e dele com acesso à internet foi um destaque no período. Em Minas Gerais, em 2005 946 mil domicílios tinham computador, número que saltou para 2,76 milhões em 2011, com alta de 191,7%. Do total de computadores existentes no estado em 2005,645 mil tinham acesso à internet. Em 2011, esse núimero subiu para 2,25 milhões, uma expansão de 249,3% . “Não só o número de computadores cresceu, como o número desses aparelhos com acesso à internet avançou mais rapidamente em Minas”, observa Antônio Braz, analista do IBGE. Em Belo Horizonte, em 2005, 294 mil domicílios que tinham computador estavam conectados, em 2011 foram 773 mil, com crescimento de 163%. 

Isso quer dizer que a população brasileira está cada vez mais utilizando a internet como ferramenta de comunicação – em redes sociais como Facebook, Twitter, Skype – e não apenas para a pesquisa. Os que mais usam a internet no Brasil são jovens de 15 a 17 anos, seguidos por jovens de 18 ou 19 anos. Foram eles que mais acessaram a rede nos três meses anteriores à coleta de dados da Pnad. Quando o recorte é feito por escolaridade, entre 2005 e 2011, o universo dos sem instrução, ou com menos de quatro anos de estudo, que são internautas saiu de 2,5% para 11,8%. No mesmo período, no grupo dos que têm mais de 15 anos de estudo, o percentual saiu de 76,1% para 90,2%. 

Popular Morador do Bairro Cidade Industrial, uma das áreas carentes de Montes Claros (Norte de Minas), o estudante Gabriel Dias Gomes, de 15 anos, faz parte da turma que agora não sai da rede. “A internet é algo que passou a fazer parte da minha vida”, conta Gabriel, que é filho do pedreiro Ramon Gomes e de Eliane Dias Gomes, operária de uma indústria têxtil da cidade. O casal também tem uma filha de 14 anos. A família mora numa casa de cinco cômodos, coberta de telhas. Gabriel conta que o computador foi comprado a prestação por sua mãe há um ano e seis meses. O pai paga a taxa do acesso à rede, no valor de R$ 50. “Uso a internet para acessar o Facebook, para pesquisas escolares, para a tradução de textos em inglês e também para comprar roupas”, informa o adolescente, que estuda no sétimo ano do ensino fundamental.

Segundo o IBGE, em todos os anos pesquisados, a maioria dos usuários da internet ficou concentrada na classe de rendimento de três a cinco salários mínimos, ultrapassando, inclusive, a classe de cinco ou mais salários mínimos. Isso mostra que, com acesso ao emprego e com dinheiro no bolso, a nova classe média foi a que mais se beneficiou da tecnologia e da conectividade entre 2005 e 2011. Apesar de responder pela fatia mais expressiva de uso, porém, o avanço dos novos consumidores na rede foi menor do que o apurado nas classes mais baixas.Fonte:em.com.br