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Dante busca seu segundo título da Superliga ‘ansioso como um novato’

Às vésperas da final da competição, ponteiro do Rio de Janeiro ri ao lembrar currículo humilde no país e recorda o drama na final olímpica de Londres

vol_dante_riodejaneiro_andredurao.jpg_95O recanto estava lá, esperando por ele. E com tudo aquilo que Dante precisava antes de entrar em quadra para a última batalha da Superliga. Depois da dura série contra o Minas,  só queria renovar o fôlego, pisar o pé na terra, ficar perto dos animais. Tomou o rumo de Itumbiara. Na tranquilidade de sua fazenda, achou graça ao se pegar pensando na ansiedade que vem sentindo desde a semana passada. Como um bom novato. Aos 32 anos, dono de um currículo pesado com títulos defendendo a seleção brasileira e outros com o Modena, Panathinaikos e Dínamo de Moscou, o ponteiro ri ao lembrar que só tem um, unzinho da principal competição nacional. Foi campeão na temporada 2001/2002 com o Minas e ponto.

Depois de 12 anos, Dante terá a chance de colocar mais um troféu na galeria. Para isso, terá de derrubar o Cruzeiro, que defenderá a sua coroa. A partida será disputada às 10h, no Maracanãzinho. A Rede Globo e o SporTV transmitem ao vivo e o GLOBOESPORTE.COM acompanha em Tempo Real.

– Tenho pouca experiência em Superliga (esta é a quinta participação) e estou me sentindo literalmente como um novato (risos). Sentia falta disso porque fiquei muitos anos jogando fora do país. Ganhei tanta coisa lá fora… Bruno e Thiago Alves com uns 4 e eu com um. Eu ficava vendo as decisões pela internet ou pela TV e queria estar ali. Agora vou poder realizar um sonho depois de mais de 10 anos. Estou honrado, feliz e ansioso, como uma criança, por ter ajudado um time maravilhoso chegar a uma final – disse.

O sonho esteve ameaçado, não só pelos adversários, mas principalmente pelo joelho esquerdo. Dos Jogos de Londres, Dante trouxe dores. Após vários exames e conversas com médicos, a opção foi arriscar um tratamento por onda de choque. Era o último recurso antes de uma cirurgia, que o deixaria fora de quadra por oito meses. Doloroso foi, ele não nega, mas funcionou. Durante um mês, uma vez por semana, era submetido ao que chama de “tortura”. Eram cinco minutos que pareciam uma eternidade. Até que um dia, o médico pediu que ele pulasse o mais alto que pudesse. A dor tinha sumido. Dante, que havia perdido boa parte do primeiro turno, estava liberado para jogar.

Se o incômodo físico já não existia, um outro persistia. Dá sinais até hoje. Ainda é difícil de aceitar que aquela medalha de ouro olímpica escapou por entre os dedos no ano passado. O semblante muda quando a pergunta o faz voltar até aquele 12 de agosto. Dia em que a seleção tomou uma virada que parecia impossível.

– Hoje eu penso que poderia ter aguentado mais um pouco… Só eu sei o que estava sentindo. Estava pensando que poderia estar prejudicando o time. Era injusto tendo gente 100% pronta para jogar. Estava me arrastando de dor. Não vi aquele jogo contra a Rússia até hoje. E nem quero. Tenho ele na minha cabeça.

O jogo e a lição que aprendeu com ele também. Sabe que contra o Cruzeiro não se pode perder a concentração e muito menos a chance de matar a partida. Qualquer bobeada pode custar muito caro.

– É uma partida que não tem uma segunda oportunidade. É uma paulada só! O time deles é entrosado, joga junto há muito tempo e arrisca demais o saque, o bloqueio. Tem um volume de jogo muito bom. Mas nós estamos focados, bem preparados. É uma final justa.

Integrante da equipe desde a sua criação, Dante mostra orgulho ao ver o time chegar a uma decisão em seu segundo ano de vida. Na edição passada, o Rio de Janeiro parou nas semifinais. A pré-temporada que fez falta foi realizada desta vez. E de acordo com o ponteiro, foi o que contribuiu para dar um passo adiante. A hora agora é de colher os frutos. Só depois disso, Dante quer começar a pensar outra vez em seleção.

– Não pretendo parar de defender o Brasil. Vou conversar ainda com o Bernardo. Talvez precise dar uma descansada, ter uma folga, porque o corpo está batendo à porta. Este ano a temporada da seleção é longa.  É uma ideia. Sei que vai ser duro fisicamente para mim, mas quero encerrar minha carreira nos Jogos do Rio, em 2016.

FONTE: Globoesporte.com

FOTO: André Durão

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