segunda-feira , 23 outubro 2017
9 de abril de 2013

Do surfe em Noronha para o vôlei, Douglas Cordeiro busca 5ª Superliga

Central do Cruzeiro afirma que ter vivido parte da adolescência na ilha do Nordeste é um privilégio: ‘Se toda criança tivesse essa chance, seria ótimo’

douglascordeiro-cbvFilipe e Serginho são explosivos. William ganhou alma argentina após anos atuando no país vizinho. Leal é cubano. Mas, no meio desse caldeirão que é o time do Cruzeiro, Douglas Cordeiro consegue manter a serenidade. O experiente jogador de 34 anos, que disputa sua 15ª Superliga e busca o pentacampeonato neste domingo, contra o Rio de Janeiro, no Maracanãzinho, diz que sempre foi tranquilo, mas conta que a infância em Fernando de Noronha também ajudou a moldar sua personalidade.

– Tenho até alguns amigos, como o William e o Acácio, que brincam que eu sou devagar quase parando. Somou as duas coisas. Um pouco de personalidade e um pouco de ter morado lá – disse o central do Cruzeiro.

O pai de Douglas, Domício Cordeiro, nasceu na ilha, e o meio de rede morou lá em dois momentos. Primeiro, apenas por um ano quando tinha 9, entre 1987 e 1988. Depois, de 1991 a 1994, quando seu pai foi administrador de Fernando de Noronha.

– Eu me considero uma pessoa muito privilegiada por ter tido uma infância e uma pré-adolescência lá. O quintal da minha casa era a ilha. Meu pai não tinha essas preocupações que os pais têm de assalto, sequestro. Isso me deu uma oportunidade de sair para pescar, para mergulhar, para surfar. São coisas que tive oportunidade de fazer. Se toda criança tivesse essa chance, ia ser ótimo.

Foi nesse período que o vôlei entrou em sua vida, motivado principalmente pela medalha de ouro conquistada pelo Brasil nas Olimpíadas de Barcelona.

– O “boom” foi tão grande que chegou até em Fernando de Noronha. Todas as pessoas queriam praticar vôlei. Eu tinha um professor que gostava de vôlei, ele foi me orientando, e quando fui para Recife para fazer o segundo grau, conheci técnicos de vôlei que já me encaminharam para o esporte – contou o jogador.

Em 2012, o atleta tornou-se mais do que um simples ex-morador de Fernando de Noronha. Quando o Cruzeiro conquistou o título da Superliga contra o Vôlei Futuro, Douglas Cordeiro fez uma homenagem à ilha carregando a bandeira do local. A retribuição veio meses depois, quando o Conselho Distrital deu ao jogador o título de cidadão noronhense.

– Apesar de ter saído de Noronha há muitos anos, sempre tive uma identificação grande. Na final da Superliga, eu estava usando a bandeira da ilha, justamente em homenagem às pessoas deste paraíso, este lugar tão maravilhoso. Recebi a homenagem depois e fiquei muito honrado. Um lugar que sempre fez parte de mim e agora sou cidadão honorário – destacou.

As últimas idas de Douglas a Fernando de Noronha têm sido emotivas. Se na última vez ele virou cidadão noronhense, na viagem anterior visitou a quadra da escola onde começou a praticar vôlei e chegou a jogar um pouco.

– Cheguei a ficar um pouco emocionado de poder voltar lá no momento que vivo profissionalmente. Passava um filme dentro de quadra, e algumas pessoas que estavam ali fizeram parte deste início. Foi muito gratificante. Sempre que puder ir a Noronha, quero voltar ao ginásio.

Os companheiros de vôlei também acabam se dando bem. A lista de amigos que foram com ele a Fernando de Noronha inclui William, Acácio, Leo Mineiro, Samuel, Mari Paraíba, Talmo. A família também aproveita bastante o local, e o central tenta fazer com que seus filhos conheçam um pouco do que ele viveu.

– São gerações diferentes, mas eles curtem bastante. Dentro de casa é aquela rotina de iPad, videogame, internet. Mas quando está lá em Noronha eu bloqueio completamente. Eles entendem perfeitamente, e a gente passa o dia inteiro quase na praia.

Cruzeiro e Rio de Janeiro decidem a Superliga masculina neste domingo, em partida única, no Maracanãzinho. A partida, marcada para as 10h (de Brasília), terá transmissão ao vivo da Rede Globo e do SporTV. O GLOBOESPORTE.COM acompanha tudo em Tempo Real.