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Eliza foi queimada e suas cinzas foram jogadas numa lagoa

O presidiário Jailson Alves dos Santos, 43 anos, voltou a afirmar agora há pouco (terça-feira, 23) que Marcos Aparecido dos Santos, o Bola, lhe contou ter assassinado Eliza Samúdio. A conversa entre ambos teria ocorrido em meados de 2011, na cela onde se encontrava na Penitenciária Nelson Hungria. O réu costumava frequentar sua cela para assistir à TV e após assistirem a uma reportagem sobre o desaparecimento da modelo, ao conversarem sobre o assunto, Bola teria feito a revelação.

Indagado por ele o que fizeram com o corpo, o ex-policial teria respondido: “só se os peixes falarem”, salientando depois que Eliza havia sido queimada no “microondas” e teve suas cinzas atiradas numa lagoa em Esmeraldas.

Jailson é a primeira testemunha de acusação a prestar depoimento no segundo dia dos trabalhos, iniciado às 9 horas, no Fórum Dr. Pedro Aleixo, em Contagem. Ele confirmou o fim da modelo ao responder as perguntas do promotor de Justiça, Henry Wagner Vasconcelos de Castro.

Nesse momento, o presidiário responde a perguntas da defesa, que estão sendo feitas pelos advogados do réu.

Jailson também falou ao promotor sobre o plano de Bola para matar a juíza Marixa Rodrigues, o delegado Edson Moreira, o deputado estadual Durval Ângelo, o assistente de acusação, José Arteiro, e dois irmãos de um carcereiro. Segundo ele, havia um motivo para executar cada um deles e quem iria matá-los seriam traficantes do Rio.

Jailson confirmou hoje tudo que havia dito anteriormente, nos quatro depoimentos dados desde quando fez a denúncia. A primeira vez foi ao Juízo Criminal de Contagem. Depois fez a mesma denúncia à Corregedoria de Policia Civil, quando fugiu do DHPP, voltou a falar a mesma coisa na 10ª Delegacia de Polícia de Ribeirão das Neves e no julgamento de novembro quando Bola, Bruno e Dayanne tiveram seus processos desmembrados e somente Macarrão e Fernanda Gomes de Castro foram julgados e condenados.

Também o presidiário voltou a confirmar o envolvimento de Bruno com o tráfico no bairro Liberdade, em Ribeirão das Neves, cuja movimentação ficava a cargo do ex-secretário particular do goleiro e do motorista Cleiton da Silva Gonçalves. O traficante Nem, disse, chegou a vir a BH para executar as vítimas.

No início de suas declarações, Jailson também falou ter sabido que Bruninho, o filho de Bruno com a amante, era para ser morto na mesma ocasião, juntamente com Eliza, e só não foi executado porque a ex-mulher do goleiro, Dayanne de Souza, interveio e o mandou para ser cuidado pela babá Graziele Beatriz Leal de Souza, assassinada em janeiro de 2011, em Ribeirão das Neves.

Segundo as investigações da Polícia Civil, ela teria sido confundida com a irmã Geisla Leal e sua morte estaria relacionada ao tráfico de drogas. Bruninho foi encontrado pela polícia, em 2010, na casa de Geisla, onde havia sido deixado por Wemerson Marques de Souza, o Coxinha, empregado de Bruno. Ele entregou o bebê a mulher a pedido de Dayanne de Souza.

O interrogatório da testemunha ainda prossegue no plenário do júri. Mais uma testemunha de acusação e três de defesa estão previstas para prestar depoimento hoje.

LUIZ FLÁVIO GOMES, jurista e diretor-presidente do Instituto Avante Brasil. Estou no blogdolfg.com.br

*A publicação do texto está autorizada desde que o autor seja citado. 

 

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