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Igreja do Rosário em Itabira

003Igreja antiga, tão velha, caiada de cores azul e branca, quase
despercebida. Paredes esburacadas, onde gerações de andorinhas
abrigam-se e religiosamente perpetuam a espécie. Sino centenário,
que diariamente chama os fiéis e espanta as aves. Pia batismal que lavou
o pecado original dos filhos dos escravos, dos senhores e dos mineiros.
Altares muito antigos, forrados com toalhas de rendas brancas,
quase transparentes, de tanto serem alvejadas e surradas. Imagens de
São Benedito e Santa Ifigênia, com expressão triste de muita piedade.
No teto, pintura que alguns historiadores atribuem ao Mestre Ataíde,
mas existe controvérsia. Um dragão soprando o fogo eterno que não
se apaga com o tempo. A imagem de uma virgem pisando em uma
serpente, com o terço nas mãos. Castiçais de madeiras, flores naturais
colhida pela manhã. Bancos negros enfileirados.
Nada de luxo. Simples como a gente que ali frequentou, durante
décadas.
Nas tábuas do chão, alguns números identificando as sepulturas,
talvez de um membro da Irmandade de Nossa Senhora do Rosário
dos Pretos. Apenas números.
No silêncio do tempo, dá para perceber o credo, os cânticos,
os ofícios, os pedidos, as orações os lamentos, os cantos, os terços
recitados, os benditos, a intercessão, as encomendações das sofridas
almas, os soluços e até o gotejar de lágrimas de um povo simples da
mina.
E toda a mística dos rituais do povo do clamando socorro dos céus.
Marconi Ferreira
Por Itafatos

 

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