sexta-feira , 24 novembro 2017
17 de Maio de 2013

Ipatinga – Jornalista assassinado tinha proximidade com vereador

Rodrigo Neto trabalhou na campanha de Ley do Trânsito e teria descoberto esquema.

image (3)O jornalista Rodrigo Neto, assassinado a tiros no dia 8 de março deste ano, em Ipatinga, no Vale do Aço, mantinha uma relação próxima com o presidente da Câmara Municipal da cidade e policial civil, Werley Glicério Furbino de Araújo, conhecido como Ley do Trânsito. Conforme mostrou O TEMPO ontem, o deputado estadual e presidente da Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), Durval Ângelo, afirmou que a morte de Neto está ligada a um esquema de corrupção com a participação do político.

Em entrevista à reportagem de O TEMPO, um parente do jornalista afirmou que ele iria trabalhar na Câmara. Colegas do comunicador confirmaram que Neto trabalhou na campanha eleitoral de Ley do Trânsito, que foi o vereador mais votado de Ipatinga em 2012. “Só sei que ele ia ser assessor do Ley e, depois, não foi mais. Mas não sei se aconteceu alguma coisa. Pelo fato de ele (Neto) não contar nada do trabalho, fica difícil saber”, disse o parente de Neto.

Durval Ângelo afirmou que o jornalista teria descoberto as cobranças de propina no departamento de trânsito na cidade e estaria preparando uma reportagem sobre o caso. Segundo o deputado, os policiais cobrariam 10% sobre o valor de placas de veículos e, em troca, não cobravam a emissão da nota fiscal, isentando o proprietário de impostos.

Ley do Trânsito, outros três policiais e três empresários ainda são suspeitos de regularizar veículos roubados, dentre outros crimes. Por meio da assessoria de imprensa, o vereador negou o envolvimento no esquema e disse que era amigo de Rodrigo Neto. Ele prometeu processar o deputado Durval Ângelo.

Transferência. A Polícia Civil (PC) informou, ontem, que o pedido de transferência dos outros policiais envolvidos no esquema – dois delegados e um investigador –, feito pela corregedoria, ainda está em análise. “São fatos graves, e eles não podem permanecer na delegacia de Ipatinga estando indiciados. É imoral”, afirmou o subcorregedor da PC, Elder Dângelo.

OTEMPO