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Mantra, lágrimas e suspiro de alívio: torcida do Galo pulsa no Mineirão

Ao som de ‘Eu acredito’, mais de 56 mil atleticanos sofrem e vivem diferentes emoções antes de chegar ao sonhado título da Libertadores

Por Leonardo SimoniniBelo Horizonte

A chegada dos atleticanos ao Mineirão começou cedo. Por volta das 16h de quarta-feira, os primeiros torcedores já se aglomeravam nos bares próximos ao Gigante da Pampulha. Com o passar do tempo, as ruas foram sendo tomadas. Cerca de uma hora e quarenta minutos antes do jogo, aconteceu o ápice da festa fora do estádio. A “rua de fogo” – feita com inúmeros sinalizadores e que se tornou marca registrada na chegada do time ao Independência – foi reproduzida no Mineirão. Ao lado dela, inúmeros foguetes, rojões e bombas davam o tom do que estava por vir com a bola rolando.

Minutos antes da partida, os quase 62 mil lugares já estavam tomados pelos torcedores alvinegros, sendo mais de 60 mil do time da casa, e cerca de 1.500 da equipe paraguaia. O grito “Eu acredito” virou um mantra atleticano e foi o primeiro a ecoar com força no estádio. Como resposta, os torcedores rivais exibiam orgulhosos uma camisa do arquirrival mineiro, o Cruzeiro, além de um frango de borracha, para satirizar o símbolo do Galo.

Mosaico Torcida Atlético-MG campeão Libertadores Festa (Foto: Editoria de Arte)O ‘Eu acredito’ se espalhou pelas ruas de Belo Horizonte antes da partida. Durante a decisão, a tensão não tirou a confiança da Massa atleticana, que depois saiu às ruas para comemorar (Foto: Editoria de Arte)

Com a bola rolando, o primeiro “uuuuhhh” veio logo no começo, quando Jô quase empurrou para a rede um chute cruzado de Tardelli. A animação e pressão da torcida continuaram, com direito a bronca no árbitro e apitaço quando o rival tinha a posse de bola.

 

Mas o tempo foi passando, o jogo ficou difícil, e o fôlego da maioria diminuiu. Bastou a torcida do Olimpia cantar o seu tradicional “Ilariê” para ouvir a resposta com gritos de “Galo”, o que ressuscitou torcida e jogadores. Ronaldinho, de cabeça, levou perigo ao gol adversário.

A partir daí, mais silêncio, nervosismo dentro e fora de campo e muito apito. O sopro era o som do estádio em forma de respiração.

Novamente foi preciso um momento de apreensão para que a torcida voltasse a gritar. O ídolo Tardelli deu mostras de sentir um problema no tornozelo. A torcida fez sua parte e gritou o refrão criado para o camisa 9: “Taaaardeeeelli, gol, gol.”

Com o 0 a 0 arrastado até o fim dos primeiros 45 minutos, o mantra “Eu acredito” voltou a ser entoado diante de uma grande festa dos pouco mais de mil torcedores visitantes.

torcida Atlético-MG mosaico final Libertadores (Foto: EFE)Mineirão tomado para a final (Foto: EFE)

Sorte de campeão?

Na volta do intervalo, nem deu tempo de os atleticanos ensaiarem novos gritos ou puxarem um coro já conhecido dos jogadores. Bastou o grito de gol. Jô, que por vezes na primeira etapa se atrasou um pouco em alguns lances, nem precisou acelerar. Ele contou com uma furada incrível na área para balançar a rede e fazer o torcedor do Galo explodir em festa.

A euforia tomou conta do estádio. Mas era preciso, ao menos, mais um gol. A torcida pediu, suplicou. Mas em vão. O Olimpia sentiu o golpe, mas rapidamente se refez e continuou a defender com competência.

Quase inerte diante do jogo duro a que era obrigada a acompanhar, a massa atleticana de quase todos os 58.620 presentes só reagia quando os hinchas esboçavam apoio ao time guarani.

A glória máxima dos fiéis atleticanos foi valorizada na parte final do jogo, quando Leonardo Silva tocou de cabeça e obrigou os  milhares de corações acelerados a aguentarem mais 30 minutos de prorrogação. A essa altura, o Galo estava com um jogador a mais, já que pouco antes do segundo gol Manzur recebera o cartão vermelho.

Voz da massa e silêncio

Chegou a hora dos 30 minutos finais. Empolgada, a torcida fez sua parte e cantou durante quase todo o tempo. Em campo, o time fez como Bernard havia prometido: buscou forças onde tinha e não tinha. A cada chance perdida os gritos de “uuuhhh” e “eu acredito” ecoavam pelo estádio, mas, quando o árbitro apitou o fim da prorrogação e a decisão foi para as cobranças de pênaltis, o que imperou foi o silêncio.

A voz de Deus

Logo de saída, o goleiro Victor deu vantagem ao time mineiro e voltou a ouvir “p…. é o melhor goleiro do Brasil”. Mas a cada cobrança em que a bola balançava as redes o grito insistia em ficar preso na garganta.

Quando Gimenez perdeu a sua cobrança ao mandar a bola na trave, o grito de campeão se misturou ao choro e ao suspiro que deu fim a um jejum de 42 anos sem um título absolutamente indiscutível.

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torcida Atlético-MG Mineirão final (Foto: Marcos Ribolli / Globoesporte.com)Na entrada do Galo em campo, fogos pintaram o Mineirão (Foto: Marcos Ribolli / Globoesporte.com)

Fotos:Marcos Riboli-Editora de Arte-EFE 

Fonte: Globoesporte.com

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