Home / Esporte / Novos rivais, Kalil e Juvenal têm em comum polêmicas e gosto por poder

Novos rivais, Kalil e Juvenal têm em comum polêmicas e gosto por poder

Presidentes de Galo e São Paulo, adversários nas oitavas da Libertadores, já foram aliados. Mas guerra de bastidores os colocou em lados diferentes

Dentro de campo, Atlético-MG e São Paulo têm muitas diferenças. Explícitas na fase que cada clube vive. O Galo esbanja um futebol considerado por muitos o melhor do Brasil, e o Tricolor tem um elenco elogiável, mas que ainda não apresentou a qualidade que se espera dele. Nos bastidores, no entanto, há mais semelhanças. Em especial na presidência. O mineiro Alexandre Kalil e o paulista Juvenal Juvêncio têm estilos de comando bem parecidos. A ponto de passarem de aliados a rivais.

Centralizadores, Kalil e Juvêncio quase sempre corroboraram as mesmas ideias (e ideais também). Mas a atual rivalidade dentro de campo e algumas articulações de bastidores mudaram a relação. A principal delas foi a aproximação do presidente do Galo a José Maria Marin (antes apoiado pelo Tricolor, clube do qual foi jogador nos anos 50), mandatário da CBF, e a Marco Polo Del Nero, vice da entidade e presidente da Federação Paulista. Recentemente, o trio viajou junto para uma visita à sede da Conmebol, em Luque, no Paraguai.

Kalil aproveitou a viagem para articular pedido para que os duelos entre Atlético-MG e São Paulo, pelas oitavas de final, tivessem árbitros estrangeiros. Assim foi no primeiro, vencido pelo Galo por 2 a 1, no Morumbi, com o paraguaio Antonio Arias. E assim será nesta quarta-feira, às 22h, em Belo Horizonte, com o uruguaio Roberto Silvera. Vale lembrar que o Tricolor usou o mesmo expediente na decisão da Libertadores de 2005, contra o Atlético-PR. Juvenal Juvêncio era diretor.

Essa transição de aliado a rival (e vice-versa) é comum no mundo político, onde muitas vezes os interesses estão acima de tudo. Envolvidos na política esportiva há muito tempo, Alexandre Kalil e Juvenal Juvêncio sabem disso. Faz parte do dia a dia deles. Portanto, nada impede que mais adiante eles voltem a ser aliados. Não é o que parece, pelo menos por ora. Ainda mais com o calor da disputa das oitavas de final da Libertadores.

“O São Paulo precisa de mim. Todos sabem disso. Precisa da minha eficácia. Eu preciso terminar essa obra fantástica. Tem o progresso do Morumbi, a readequação do CT da Barra Funda, a ampliação de Cotia…”. A frase dita por Juvenal Juvêncio em seu discurso de posse, em 20 de abril de 2011, fala muito sobre o presidente do Tricolor. Ele gosta do poder. Não à toa está em seu quarto mandato (88-90, 2006-2008, 2008-2011 e o atual, que termina em abril de 2014).

Colecionador de títulos como presidente ou dirigente (são dois Paulistas, uma Libertadores, um Mundial, uma Copa Sul-Americana e três Brasileiros), Juvenal tem estilo bem próprio. Folclórico, ele faz de suas coletivas uma verdadeira apresentação de stand-up comedy. Recheadas de palavras rebuscadas, muitas compreendidas apenas com o auxílio do dicionário, as entrevistas do mandatário tricolor são um espetáculo. Ele gosta de sempre lembrar, em suas palavras, dos “trabalhadores de mãos calosas” e os “moradores das palafitas”.

Ao mesmo tempo em que passa essa imagem engraçada, nos bastidores ele é conhecido por ser linha dura. Não costuma ouvir muitas pessoas. Prefere os bajuladores aos contestadores. Sabe transitar em muitos meios, mas, como todo político, muda de opinião conforme os seus interesses. Na briga pela Copa do Mundo de 2014, por exemplo, se aliou a Ricardo Teixeira. Depois que o Morumbi deixou de ser sede, o ex-presidente da CBF ganhou o rótulo de “inimigo”.

– A razão principal de o Morumbi não estar na Copa do Mundo de 2014 chama-se Ricardo Teixeira. Ele nunca gostou de futebol, sempre foi todo ‘granfininho’. Jogador transpira. Ele não gosta disso – declarou Juvenal, em outubro do ano passado, na assinatura do contrato com a construtora responsável pela cobertura do Morumbi. Sede do Mundial desde que o Brasil foi anunciado, o estádio tricolor perdeu força política ao longo do tempo e deu lugar à Arena Corinthians.

Daqui a menos de um ano, Juvenal Juvêncio deixará a presidência do São Paulo. Mas se algum de seus aliados for eleito, certamente ele ainda continuará envolvido com o futebol tricolor de alguma forma. Ao longo desses anos, o presidente são-paulino articulou muito bem o seu governo. Deixou legados, palpáveis ou não. Entrou em polêmicas quando necessário, fez cena em outros momentos e, na base de político, conquistou aliados e inimigos. Ambos, porém, podem mudar de lado.

A polêmica está tão presente na vida de Alexandre Kalil quanto o Atlético-MG. No dia-a-dia político do clube desde 1999, quando assumiu o Conselho Deliberativo, ele foi eleito presidente pela primeira vez em 2008, sendo reeleito três anos depois. Durante esse período, o mineiro deixou clara a sua obsessão por defender o Galo. E nunca se preocupou com as palavras, muito menos com o tom delas, na hora de fazê-lo. Curto e grosso, o atleticano quase sempre é áspero e contundente.

Cercado por um grupo pequeno, mas fiel, de aliados, o presidente do Galo o tem como porto seguro na hora de tomar as decisões. Mas é sempre a opinião dele que prevalece. Recentemente, em entrevista ao GLOBOESPORTE.COM, se abriu um pouco mais. Revelou até que deixou de ser ateu depois que o pai ficou doente e morreu. Amado ou odiado, Kalil já foi elogiado por desafetos, como o técnico Geninho, a quem chamou de prostituta, e o cartola vascaíno Eurico Miranda.

Nem mesmo a própria torcida do Atlético-MG escapa da grosseria de Kalil. Ao anunciar a contratação de Diego Tardelli, um dos principais nomes para esta temporada, o presidente do Galo chamou os torcedores do Galo de “chatos”. Imagine, então, como ele se refere ao rival Cruzeiro, alvo predileto do mandatário alvinegro. Seja quando o provocam ou até mesmo quando ele está na dele. Foi assim na negociação de Ricardo Goulart e na apresentação de Dedé. Primeiro, ao saber que o meia, já anunciado como reforço pelo Galo, estava negociando também com o Cruzeiro, ele desistiu do negócio e afirmou que não entraria em “leilão por promessa”. Mais recentemente, Kalil, sem ser provocado, de livre e espontânea vontade, sugeriu que a torcida do Atlético-MG boicotasse a rede de supermercados onde o rival apresentou o zagueiro Dedé como reforço – foi uma ação da Raposa envolvendo o Movimento Por Um Futebol Melhor.

Muito embora precise ser político nas relações, o presidente do Atlético-MG não teme colecionar desafetos quando o assunto é o Galo. A recordar a recente troca de farpas com o tetracampeão Zinho, então diretor de futebol do Flamengo. Ele foi chamado de “pato novo, que está arriscado a engasgar e morrer afogado” depois de dizer que não gostaria que o time mineiro fosse campeão brasileiro no ano passado – o Alvinegro ficou em segundo lugar. O Fluminense levantou a taça.

Fonte: Globoesporte.com

Fotos: Leandro Canônico/Bruno Cantini

About admin