terça-feira , 26 setembro 2017
10 de maio de 2016

O PRIVILEGIO DE VIVER EM DOIS SECULOS

Nós que nascemos pelos anos de 1940 a 1950, somos uma geração privilegiada. Nascemos em plena guerra mundial, assistimos o mundo ser dividido em dois sistemas, capitalismo e socialismo. Nas últimas décadas foi tão grande o desenvolvimento que temos a impressão de ter vivido mais de um século. Fomos criados no colonialismo, nos educaram para ser mão de obra direta das industrias sob as regras de Taylor, Ford e Fayol. Ajudamos o desenvolvimento industrial, vimos o nascimento do automóvel, da TV, do telefone e da internet e terminamos o século 20, esperando o anunciado boom do final de século, que trazia insegurança, perplexidade e muita crendice religiosa.

Assistimos o nascimento do comunismo e também a sua quase extinção, regime que não conseguiu completar nem um século de vida. Assistimos as empresas se desgastarem em novos modelos administrativos e o alvorecer do humanismo que passou a colocar o homem como sujeito do processo. Assistimos o inchaço do Estado, criação das grandes estatais e a construção da nova capital do nosso país. Participamos de grandes movimentos políticos, vimos um presidente suicidar-se, outros serem depostos, uma revolução interna que terminou em ditadura militar por vinte anos. Poucas gerações assistiram a escolha de novos quatro papas, a queda de dezenas de ditaduras nas Américas e o recomeço de novos capítulos pelo mundo afora, onde o capital circulou, fez crescer novas potencias e destruiu outras. A velocidade dos fatos já no final do século 20 foi tanta que perdemos a noção de valores e conceitos e vimos países destruídos se tornarem gigantes e outros se declinarem na corrida do desenvolvimento pelo mundo todo.

Entramos no século 21 sabendo que seria o momento do conhecimento e da criatividade e o capital mais importante já não seria o dinheiro e sim o capital humano com seu vasto potencial de transformação. Hoje vivemos mergulhados no vasto desenvolvimento tecnológico, sufocados pela avalange exponencial de novos produtos das startups a todo instante. Viver a princípio ficou mais fácil e mais emocionante, no entanto a angustia de saber definir em um mercado complexo e rico, tem colocado o homem a margem de uma boa qualidade de vida. Vivemos hoje reféns da China, que pela sua magnitude industrial e econômica dita as regras do jogo e o mundo em blocos tenta acompanhar. A Europa em decadência, os USA e Japão voltando a crescer e vários pequenos países encontrando seu rumo e vendendo saúde financeira com mais qualidade de vida.

Diante de tudo isso como fica nosso querido Brasil, cada vez mais mergulhado na corrupção e crise política sem precedentes?

Vamos precisar de pensar bastante para responder e talvez não tenhamos ainda a solução apesar da nossa geração ter acumulado muitos exemplos e muitos conhecimentos. Nos resta acreditar, pois, somos um povo que ama a paz, a alegria a música e o futebol e temos o DNA do empreendedorismo nas veias e acima de tudo temos fé permanente na misericórdia de Deus.

Marcio Labruna

Por Itafatos