quarta-feira , 23 agosto 2017
8 de maio de 2013

Polícia faz operação para prender envolvidos em mortes de jornalistas no Vale do Aço

20130508112116133852iAo todo são 12 mandados de busca e apreensão sendo cumpridos em Ipatinga e outras cidades da região. Delegado deve divulgar balanço das ações no fim da tarde.

A Polícia Civil de Minas Gerais desencadeou, no início da manhã desta quarta-feira, uma operação para prender suspeitos de envolvimento nas mortes dos jornalistas Walgney Assis Carvalho, 43 anos, e Rodrigo Neto, no Vale do Aço. 

Segundo a corporação, 50 policiais de Belo Horizonte vão cumprir 12 mandados de busca e apreensão – em Ipatinga e cidades próximas – expedidos pela Justiça na tarde de terça-feira. A equipe se deslocou ainda na madrugada para que as ações tivessem início já nas primeiras horas do dia. 

O chefe do Departamento de Investigação de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DIHPP), Wagner Pinto, que comanda as investigações, não revela detalhes dos alvos da operação para não prejudicar os trabalhos. De acordo com a Polícia Civil, o delegado deve divulgar um balanço da operação no fim da tarde. O DIHPP investiga 14 crimes cometidos no Vale do Aço nos últimos anos. 

Participação de policiais em morte de jornalistas

As hipóteses sobre a participação de policiais civis e militares começaram a ser levantadas quando Rodrigo foi morto em 7 de março no Bairro Canaã. Dois homens passaram em uma moto e atiraram no repórter. Ele chegou a ser socorrido e levado para o Hospital Municipal, mas não resistiu aos ferimentos. O jornalista denunciava uma série crimes cometidos por um esquadrão da morte que seria formado por policiais.

O delegado Cylton Brandão da Matta, chefe da Polícia Civil, afirmou durante coletiva que havia suspeita de participação de policiais, civis e militares, nos crimes. Porém, não informou detalhes sobre as investigações. “Estamos trabalhando em parceria com a Polícia Militar e as apurações estão avançadas. Pode ser que termine em dias ou meses. Não podemos afirmar quando conseguiremos a solução”, disse.

Para tentar diminuir uma série de crimes que estão sem solução da Região do Rio Doce, o delegado confirmou mudanças de delegados. O antigo chefe do 12º Departamento de Polícia Civil, José Valter foi substituído pelo sub-corregedor, delegado Elder D’Ângelo. Quem também foi transferido foi o delegado regional Gilberto Simão de Melo pela delegada Irene Angélica Franco. “Os dois delegados que estão saindo deixam os cargos com mérito, mas a chegada dos novos chefes vai marcar uma nova fase da Polícia nesta região. A vinda do delegado-corregedor, mesmo que interinamente, dá a dimensão das mudanças que estamos fazendo e sinaliza claramente a nova fase que estamos iniciando”, disse o chefe da Polícia Civil. 

Fotógrafo não se sentia ameaçado

No dia do assassinato do fotógrafo Walgney Carvalho, o deputado Durval Ângelo, presidente da Comissão de Direitos Humanos de Minas Gerais, que vem acompanhando as apurações sobre a morte do jornalista Rodrigo Neto, afirmou que a vítima vinha sendo ameaçado. Cylton Brandão diz que a Polícia Civil chegou a receber um comunicado sobre as ameaças, porém o fotógrafo foi ouvido e não confirmou os fatos. “ Carvalho foi ouvido, disse que não se sentia ameaçado e que não precisava de proteção. Isso está nos autos e assinado por ele”, comenta.

O fotógrafo freelancer do Jornal Vale do Aço foi assassinado no fim da noite do último domingo. Walgney Carvalho foi executado a tiros dentro de um pesque-pague que costumava frequentar em Coronel Fabriciano, na Região do Rio Doce. Um homem encapuzado chegou armado e atirou três vezes à queima-roupa contra a vítima. O suspeito fugiu em uma moto que o esperava na rua.

A polícia afirma que ainda não pode afirmar que os dois assassinatos têm ligação. “Não podemos descartar qualquer linha de investigação, mas em breve teremos em mãos elementos capazes de nos ajudar nas apurações. Toda a sociedade vai saber do que se trata nos próximos dias”, afirmou o delegado Wagner Pinto.

Grupo de extermínio

Amigos do jornalista afirmaram a reportagem do Estado de Minas, em 18 de abril, que Rodrigo Neto preparava uma série de matérias especiais sobre assassinatos não resolvidos nos quais um esquadrão da morte formado por policiais militares e civis da região figurava como principal suspeito. O material iria revelar mais vítimas de homicídios covardes, cometidos pelo grupo. A série contaria com fotografias de Walgney Assis.

O chefe da polícia civil aproveitou a entrevista para afirmar que não há um grupo de extermínio na região. Também garantiu que nos próximos dias haverá novidades sobre as investigações.

Ministério Público entra nas investigações

A Procuradoria-Geral de Justiça (PGJ) publicou uma Portaria para designar cinco promotores para acompanhar as investigações sobre o caso. A coordenadora do Centro de Apoio Operacional das Promotorias de Defesa dos Direitos Humanos e de Apoio Comunitário, Nívia Mônica da Silva, o promotor Rodrigo Gonçalves Fonte Boa, de Belo Horizonte, Juliana da Silva Pinto, de Coronel Fabriciano, Bruno César Medeiros Jardini, de Ipatinga; e Kepler Cota Cavalcante Silva, de Timóteo, terão acesso as apurações. Porém, não poderão se manifestar fora dos autos, pois os casos correm em segredo de justiça.

Fonte: em.com.br