Home / Esporte / Quero ser grande: PSG se inspira no Barça e busca modelo para crescer

Quero ser grande: PSG se inspira no Barça e busca modelo para crescer

Vamos descobrir o novo Messi”, foram as primeiras palavras de Nasser al-Khelaifi aos jornalistas minutos depois da aquisição oficial do Paris Saint-Germain pela Qatar Sports Investment (QSI), em novembro de 2011. No mesmo dia, disse também que o clube estaria entre os melhores do mundo dentro de 3 a 5 anos. A meta de figurar entre os protagonistas da Liga dos Campeões foi cumprida na primeira tentativa, graças aos milhões de euros investidos pelos catarianos em contratações de craques como Ibrahimovic, Thiago Silva, Lucas e Beckham, que conduziram a equipe às quartas de final. Mas formar craques nas suas divisões de base ainda está muito distante para a realidade do time parisiense. Desde a chegada da QSI, o PSG busca inspiração no modelo do Barcelona, mas não para copiar.

É verdade que o Barcelona é uma inspiração para nós. Eles formaram os melhores jogadores da Catalunha, os melhores futebolistas espanhóis e os melhores do mundo. E ainda quando precisam procurar no mercado, sempre compram os melhores jogadores daquelas posições. Portanto, é um grande exemplo para nós, o que não significa que pensemos em copiar o modelo catalão. Pretendemos criar o nosso próprio projeto, inspirado no melhor de cada time: Barcelona, Bayern de Munique, Manchester United, entre outros – afirmou o diretor do Centro de Formação do PSG, Bertrand Reuzeau, que no ano passado, visitou divisões de base em diversas partes do mundo, inclusive La Masia, do Barcelona.

Outro que reforça a ideia de que o PSG deve buscar o seu próprio modelo é Maxwell., jogador do time catalão entre 2009 e 2012 e que agora defende as cores parisienses.

Estamos nessa busca intensa de um estilo e filosofia de jogo própria, enquanto o Barcelona já tem um modelo sólido há muitos anos. O Barcelona nos mostra um caminho vencedor e com muitas coisas positivas, mas nós queremos construir a nossa própria identidade. Estamos aí com um projeto grande que envolve também todo o pessoal da base. O objetivo é ter uma identidade do clube PSG e não apenas do time principal – explicou Maxwell.

O Paris Saint-Germain “não tem no momento nem condições, tampouco estruturas” para recrutar e treinar os melhores nas suas divisões de base, segundo Reuzeau.

O clube tem novos acionistas, ainda há muita coisa a ser tratada. Queremos ter uma boa e sólida divisão de base, para que os nossos jovens cheguem à equipe principal. Para isso, temos de potencializar a região parisiense – afirmou.

O Paris Saint-Germain nunca teve a mesma tradição de formar jovens talentos como os rivais Olympique de Marselha e Lyon. Exemplos disso são os principais craques do futebol francês até hoje, como Platini, Zidane, Barthez, Henry, Blanc e Trezeguet. Nenhum deles cresceu na base do clube de Paris. Apenas Anelka, atualmente no Juventus, da Itália, passou um ano pelas divisões inferiores do clube da capital antes de se tornar profissional pelo mesmo.

Com a chegada de Nasser al-Khelaifi, Leonardo foi contratado para o cargo de diretor esportivo do clube e, pouco meses depois, o italiano Carlo Ancelotti foi anunciado como novo técnico. Os dois pediram a Bertrand Reuzeau que tentasse impor a mesma identidade tática do time nas divisões de base, para facilitar a aproximação dos mais jovens ao elenco do time profissional.

Mudamos muito o método de treino. Do mais novo ao mais velho, todos crescem com o modelo tático 4-4-2 (o mesmo do time de Ancelotti), com quatro na defesa e dois centroavantes. Podemos fazer algumas adaptações, mas a base é essa. O treinamento físico passou a ser feito com bola, simultaneamente com a parte tática. Durante a semana, há vários jogadores juniores que são chamados para treinar com o time principal – disse Reuzeau.

Porém, atualmente, apenas dois jogadores das divisões base do clube jogam no primeiro time: Clément Chantôme e Mamadou Sakho. Nenhum deles é titular habitualmente na equipe de Ancelotti, mas a admiração e os fãs de Sakho crescem a cada dia em Paris. O zagueiro tem uma história no PSG e, desde que Deschamps, chegou ao comando da seleção francesa, disputou todos os jogos das eliminatórias para a Copa do Mundo de 2014.

Para Alexandre Chamoret, jornalista do cotidiano esportivo “L’Equipe”, o caso de Sakho é um exemplo de que o PSG está mais perto de ser o novo Barcelona do que se transformar no novo Manchester City.

Sakho é um jogador com muita qualidade e uma das grandes apostas do clube. Na região parisiense, temos vários talentos que não são aproveitados. Se o clube potencializar essa região, acho bem possível que possam conseguir criar uma divisão base forte – afirmou o jornalista.

Outra das grandes esperanças do PSG é o jovem Adrien Rabiot, de 18 anos. O meia formado no clube foi emprestado ao Toulouse a meio da temporada, mas em breve voltará.

– O Adrian tem um grande talento e é da casa. Ele vai voltar no final da temporada. Tenho a certeza de que ele se vai integrar à equipe principal – revelou Reuzeau.

O próximo passo do novo PSG “made in Qatar” será a construção e inauguração de um novo centro de treinamento para os times das divisões de base e o elenco principal, inspirado nos grandes complexos das equipes de Milão, como Milanelo (AC Milan) e Appiano Gentile (Inter).

– Até o fim da temporada vamos decidir a localização desse novo CT, que ficará pronto em três anos. Queremos ter condições para alojar jovens de todo o mundo, porque atualmente os jogadores só podem ficar connosco de segunda a sexta-feira. Isso obriga que eles sejam da região de Paris. Mas o nosso objetivo é recrutar os melhores da cidade, da França e dos vários continentes para se formarem no PSG. Para isso, precisamos ter outras condições – afirmou Reuzeau.

Apostar forte nos escalões de base faz parte do novo projeto de Al-Khelafi, que não desistiu do sonho de recrutar e formar o novo Messi. Mas o futuro próximo do clube é continuar a investir muitos milhões de euros no mercado.

– Nos primeiros anos, se o clube quer ser competitivo, tem de investir – disse Ancelotti.

Faltam ainda algumas semanas para a abertura do mercado europeu de transferências, mas os dirigentes do PSG procuram novos nomes de peso para reforçar o time. Cristiano Ronaldo, José Mourinho, Rooney e Abidal são algumas das estrelas que poderão chegar à capital francesa para a próxima temporada.

Eles vão certamente contratar laterais. É verdade que gostariam de trazer Cristiano Ronaldo, mas depende também da abertura da parte dele. Para já, o PSG vai continuar a investir em grandes nomes para se manter entre os clubes de top mundial. A longo prazo, o objetivo passa por fazer crescer as divisões de base – disse Chamoret.

Bertrand Reuzeau também não acredita que já na próxima temporada o PSG jogará com a maioria dos jogadores da equipe principal provenientes das divisões de base do clube, como acontece com o Barcelona.

Eles querem resultados rápidos, muito rápidos, e os jovens precisam de tempo – disse Reuzeau.

 

FONTE: Globoesporte.com

 

 

About admin