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Um caso de descaso com o Museu do Ferro

A Prefeitura de Itabira, por meio da Secretaria Municipal de Desenvolvimento Urbano (SMDU), apresentou hoje (25), a situação do acervo e da estrutura do Museu do Ferro, localizado na praça do Centenário.

De acordo com a secretária-adjunta da secretaria municipal de Desenvolvimento Urbano, Patrícia de Castro Ferreira, o objetivo é documentar como o museu foi recebido no dia 1º de janeiro deste ano. “Primeiro, é a nossa responsabilidade receber um patrimônio com esses problemas. Depois, queremos informar a população como está e porque o museu ainda não pode ser aberto ao público”, disse.

Fechado há quatro anos “ou mais”, Patrícia Ferreira informou que o primeiro problema identificado foi a troca do forro saia-e-camisa por um forro de madeira comum. “Acredito que tenha sido trocado para resolver algum problema de infiltração, mas foi feito de maneira aleatória. Descaracterizou o patrimônio”, explicou a secretária-adjunta. Segundo Gláucia Emiliana de Oliveira Araújo, arquiteta da SMDU, na época, foi informado à secretaria e também ao Conselho Consultivo Municipal do Patrimônio Histórico e Artístico de Itabira (Comphai), “que seriam substituídos o madeirame de sustentação do forro. Não foi informado que seria feito a troca do forro. Isso não passou por qualquer tipo de aprovação da secretaria (SMDU) e nem pelo conselho (Comphai)”, afirmou a arquiteta. Além do forro, parte do piso está danificado devido a ação de cupim proporcionada pela falta de manutenção. “Foi preciso retirar uma parte do piso para inspeção e quando foi retirado, verificou-se um barrote totalmente comido por cupins”, explicou Gláucia Araújo.

A superintendente de serviços urbanos, Dulcinéa de Castro, ressaltou também, que as obras da gestão passada foram executadas sem resguardar o acervo do museu. “Nenhum objeto de muito valor histórico foi protegido enquanto as obras aconteciam e também não foram protegidos da ação do tempo”, disse. Ainda segundo ela, as peças danificadas retiradas do forro e do piso foram deixadas no meio de outras peças. “O cupim precisa ser exterminado para não agir em outros locais e aqui, eles foram deixados de qualquer jeito”. Já Patrícia Ferreira, revelou não ter conhecimento do inventário do acervo do museu. “Está tudo amontoado e nós não temos como saber se alguma coisa foi retirada daqui. Onde está o inventário? Acredito que a secretaria municipal de Obras tenha, mas não sei ao certo”, afirmou a secretária-adjunta.

Próximas ações

De acordo com Patrícia Ferreira, a primeira providência da Prefeitura de Itabira será a de limpar o museu e guardar corretamente as peças. “Nós vamos limpar e guardar melhor esse acervo mas, neste momento, não tem dinheiro e é impossível pegar uma obra de restauração desse porte”, afirmou. Segundo a secretária-adjunta, “acredito que é uma ação que o prefeito Ronaldo fará questão de bancar, pois ele

sempre nos ajudou nessa parte do patrimônio, mas sem dinheiro só conseguimos de imediato limpar e guardar de uma maneira que não estrague tanto”. Ainda de acordo com Patrícia, agora a prefeitura tem condições de priorizar a manutenção do museu e preservar o que está funcionando. “Se o telhado estiver bom, aguenta esperar até o ano que vem. Nós temos que consertar pelo menos o piso do segundo andar, que está ruim e perigoso e, também, algumas janelas faltando pedaço que não abrem e correm o risco de cair”, afirmou. Já para o futuro, a secretária-adjunta planeja a possibilidade de consertar o que foi descaracterizado. “Queremos um dia voltar com o forro, foi um dinheiro jogado fora. Está feio, não é o forro original, mas vamos desmanchar e jogar fora? É uma situação muito triste, principalmente para quem entende de arte e história”, finalizou.

Fonte:PMI

Por Itafatos

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