terça-feira , 26 setembro 2017
11 de novembro de 2016

UM RIO DE TRAGÉDIAS…

As tragédias anunciadas e denunciadas

O Rio de Janeiro, de janeiro a janeiro é sol, é mar, lagos, montanhas é beleza, luar refletido nas águas e o Cristo Redentor de braços abertos dando eternamente boas vindas e ensejando proteção.

Mas, quem vê somente o centro da grande metrópole não percebe a desordem da ocupação dos morros e encostas há muito deixou de ser um modelo e inspiração para as mais belas páginas do cancioneiro da música popular brasileira, que na voz Nelson Gonçalves, Francisco Petrônio e outros grandes, emolduravam as telas que a natureza pintou como belíssima aquarela.

A música de Orestes Barbosa que diz: – “A porta do barraco era sem trinco e a lua furando nosso zinco salpicava de estrelas nosso chão”, um dos grandes exemplos dessa visão romântica dos brasileiros sobre a bela cidade Rio de Janeiro.

A imagem poética inspirada pela natureza há tanto tempo assim, cantada tem perdido a luta contra o homem que vem degradando a natureza, fincando barracos e pousadas e até condomínios de luxo, transformando as belas paisagens em locais de perigos eminentes.

O caos provocado pela ocupação desordenada pela falta de ação dos poderes constituídos, na verdade tem sido orquestrado, literalmente falando, pela ganância da especulação imobiliária que acaba tocando o povo de menor poder aquisitivo para as encostas dos morros.

Não faz tantos anos assim que os governos foram abrindo mão do direito e até do dever de fazer a remoção dos ocupantes dos morros. Além de não proporcionar moradias dignas para as famílias, também não implementam ações de proteção à natureza.

O desgoverno foi permitindo a ocupação e a devastação do meio ambiente. Pior ainda, permanece inerte, deixando de cumprir uma função que é obrigação do estado. Já não se falam em garantias mínimas às necessidades primárias do homem, tais, como educação, moradia, segurança, transporte, trabalho etc.

Como se não bastasse aliada à leniência do governo e a falta de educação do povo veio transformando as comunidades de invasores das áreas, em questão, em vítimas.

Agora quando acontecem as catástrofes, como as de Niterói e Petrópolis, os governos dizem não haver culpados pela tragédia, transformando os moradores em vítimas tão somente.

Vítimas, sim, mas de um sistema que veio ao longo dos anos provocando o comprometimento da saúde e o desenvolvimento de um povo, que passou a sobreviver sem os principais valores que seriam a salvaguarda da sociedade, o pleno direito à cidadania. A inércia do governo tem, no mínimo, a culpa da indiferença no trato das necessidades do povo carioca.

O que vemos agora: – A linda cidade transformada em enchentes e “um Rio de Lágrimas”.

Todo romantismo do morro veio abaixo, assim, como vidas arrancadas pela violência das lutas de gangues e polícia. Agora novo drama, vidas envolvidas e revolvidas pelo lixo.  Infelizmente a falta de consciência do homem, muda o tema, a história e a música: A porta do barraco, mesmo com trinco, e as balas furando nosso zinco salpicava de mortos nosso chão”.

Menos de um ano do desastre o assunto já saiu da mídia. Os governos em todas as esferas colocaram uma pá de cal no assunto.

Foto Ilustrativa Google

Fonte: Claudionor Pinheiro

Por Itafatos

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Novas tragédias se avizinham o povo sem esperanças começa a reconstrução de suas vidas… No mesmo local onde estão soterradas outras tantas, pois, eis que as eleições aconteceram, os políticos eleitos ou reeleitos não estão nem aí. Os palanques foram túmulos que se ergueram por cima da lama, suportando o peso da mediocridade e do descaso público.