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A GRANDE FARSA DO FINANCIAMENTO PÚBLICO – MARCOS GABIROBA

Li nos jornais dessa semana que a presidenta Dilma autorizou a duplicação da BR 381, no trecho BH/Governador Valadares. Por outro lado, O DENIT afirma que as obras terão início dentro de 30 dias. Que mentira deslavada, meu Deus do céu.

Ora, vejamos, estamos no mês de novembro, essencialmente um mês de chuvas torrenciais, quando não, essa chuvinha de engana bobo que trás sérias e inexeqüíveis conseqüências aos menos favorecidos pela sorte. Como começar uma obra, tão vultosa  como esta daqui a trinta dias, se até fins de janeiro, fevereiro e março as chuvas não dão trégua? Me engana que eu gosto e muuuuuuuuitcho! Seria como entronizar a imagem de São Jorge num bordel. Assim reagiu indignado um compadre meu do interior, traumatizado ante essa proposta de gastar-se mais dinheiro público, arrancado da população em regime tributário escorchante, para compor falso quadro de pureza eleitoral, quando ele está totalmente tisnado pela mais recorrente e deslavada corrupção que assola o país. Homem atento a tudo que se passa pelos rádios, televisões e jornais, o autor da frase citada no comentário de hoje desfila inumeráveis casos de uso indevido do dinheiro público em campanhas eleitorais, responsável pela denominada “representação de resultados” em que se transformaram as casas legislativas e sua consequente desaprovação popular. Para ele, o projeto de duplicação da BR 381, há anos emperrado na burrocracia governamental, nada mais é do que um vergonhoso biombo para ocultar, o que, de resto, é conhecido de todos, isto é, fazer o caixa dois para a sua reeleição. A cada nova eleição o jorro de dinheiro nas campanhas terminou por seu desvirtuamento definitivo. A sensibilidade popular demonstrada, nas manifestações do povo que foi às ruas, determinou a insatisfação total com o atual sistema governante. Argumentando, por absurdo, fazer obras de uma duplicação em pleno mês de fortes chuvas é uma forma, indubitavelmente, de enganar, mais uma vez, o sofrido povo que paga as contas, através dos impostos mais absurdos do mundo. Sem dúvida alguma, mais uma farsa com tonalidades cômicas se não fossem trágicas pelo desvio do dinheiro dos impostos, extorquidos da população pela infernal máquina arrecadadora do Estado para convalescer grotesca mistificação. Desde quando as resistências opostas à implantação do sistema distrital no Brasil venceram a batalha contra a moralidade, pela qual se teria armado dispositivo capaz de combater com eficiência a corrupção eleitoral? Quantos a cada nova eleição conquistam o mandato pelo uso imoderado da pecúnia, espalhando pelo Brasil afora o vírus dessa doença maldita que contamina impérios e sociedades? No instante da transformação em leis das regras para financiamento de campanhas políticas, nenhum cidadão poderá mais argüir sua ilegitimidade. Aí então o desastre será mais evidente e a crença na superioridade do regime democrático e dos princípios republicanos passará à condição de letra morta, mero devaneio de nefelibatas (aquelas pessoas que vivem nas nuvens). Recentes episódios desnudaram esta verdade inconsútil (que não tem costura). Funcionários do governo ou simples agentes de seus esquemas de sustentação no poder trafegam livremente pelos desvãos das engrenagens do sistema com desenvoltura proporcional à certeza da impunidade. Encontram-se por toda parte aliados e parceiros na aventura. São capazes de mobilizar a opinião pública em torno de projetos mirabolantes, seduzido-a com a miragem do progresso, quando seu único objetivo é o de arrecadar fundos para campanhas eleitorais futuras. Indubitavelmente, a BR 381, nessas alturas é um cofre cheio de dinheiro e mentiras deslavadas com o fito, de mais uma vez, enganar o povo, sem dúvida alguma. Cobra-se, por antecipação, o imposto eleitoral de empreiteiros, construtores e bancos, especialmente, do BNDES, a âncora dos salafrários. Seu inadimplemento importará em sérios embargos a ponto de impedi-los de se aproximar das cornucópias governamentais. Somar a isso tudo o desvio de dinheiro público para engabelar a população, transmitindo-lhes a falsa impressão de haverem sido as eleições um processo imaculado, é sintoma do desvario que domina as elites do poder, incapazes de entender as recorrentes mensagens de repúdio a elas passadas diariamente pela grande maioria dos brasileiros. O discurso governamental, fatigante e enfadonho, “samba de uma nota só” em torno da prevalência dos programas sociais, deveria voltar-se para seus acólitos a fim de estabelecerem a aplicação desses recursos em áreas reconhecidamente pobres e deprimidas, exatamente as que no decorrer dos anos são as principais vítimas dos indefectíveis compradores de votos. O projeto de financiamento de campanhas eleitorais com o dinheiro público é um ato de total irresponsabilidade política e social. Servirá apenas para sonegar aos olhos da opinião pública da verdadeira avalanche de corrupção que enodoa a política brasileira. O exemplo de tudo isso está estampado, descaradamente, nas obras da transposição do Rio São Francisco, no Nordeste, assim como, em todas as obras de reconstrução dos grandes estádios de futebol, espalhados Brasil afora, para a consecução da Copa do Mundo, justamente, num ano eminentemente eleitoral, não é mesmo?  O anúncio do início das obras da duplicação da BR 381, nada mais é do que uma senha da corrupção nessa grande farsa do financiamento público. Pensem nisso.

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