Home / Polícia / Para cada 16 pessoas, capital tem uma câmera de vigilância

Para cada 16 pessoas, capital tem uma câmera de vigilância

Sindicato do setor estima que 155 mil equipamentos privados monitoram os belo-horizontinos

CAMERA

Vulnerável. Mesmo registrados por câmeras de posto de gasolina, assaltos ainda continuaram no local
PUBLICADO EM 24/11/13 – 04h00
LUIZA MUZZI

“Sorria, você está sendo filmado”. A mensagem, antes privilégio de poucos condomínios e lojas luxuosas, se espalhou pela cidade e está cada vez mais presente no dia a dia dos belo-horizontinos. Estabelecimentos comerciais, residências, prédios e empresas da capital contam hoje com cerca de 155 mil câmeras de segurança particulares – uma para cada 16 habitantes –, segundo estimativa do Sindicato das Empresas de Sistemas Eletrônicos de Segurança de Minas Gerais (Siese-MG). O número é 11% maior que o registrado em 2012, e a tendência, segundo especialistas, é que cresça ainda mais, levando em consideração, principalmente, os índices de violência nas grandes cidades.

Tentando inibir a ação de criminosos, comerciantes e moradores têm investido na aquisição de modernos equipamentos de vigilância. Na capital, existe uma câmera a cada 2.132 m² – o equivalente a um quarto de um campo de futebol –, ou cinco câmeras por quarteirão, considerando o padrão médio de 10 mil m² por quadra.

Apesar disso, os assaltantes parecem não se intimidar, e continuam praticando furtos e roubos. Entre janeiro e outubro, foram mais de 23 mil casos de crimes violentos contra o patrimônio em Belo Horizonte, 21% a mais que no mesmo período de 2012.

Há quase 25 anos no setor, o vice-presidente da Associação Brasileira de Sistemas Eletrônicos de Segurança (Abese), Claudinei Freire, afirma que a demanda pelos equipamentos eletrônicos está crescendo em ritmo acelerado. “Antigamente, as pessoas precisavam de um estímulo, como um roubo, para procurar um sistema de segurança. Hoje, elas já planejam a implantação ao construir sua casa ou loja”.

Além disso, segundo Freire, o barateamento dos aparelhos tem permitido um maior acesso aos sistemas privados. Um conjunto básico de quatro câmeras, com cabos e sistema de inteligência conectado à internet, pode ser encontrado por cerca de R$ 2.800, incluindo a instalação. Em alguns lugares, uma câmera pode ser adquirida até por R$ 100.

“O custo-benefício da vigilância eletrônica é melhor que a contratação de vigilantes. Você consegue abranger vários ambientes com um único equipamento”, afirmou o gerente comercial de uma das maiores empresas do setor na capital, Henrique Norton. “As câmeras ajudam não só para inibir a invasão, mas também após o incidente, já que as polícias acessam as imagens para iniciar a investigação”.

Vítimas. Ainda assim, quem investiu nos equipamentos continua tendo problemas. Há 12 anos, o dono de um posto de gasolina no bairro Funcionários, na região Centro-Sul, instalou um sistema eletrônico no local. As 14 câmeras, no entanto, não estão sendo suficientes para frear os roubos. O empresário, que preferiu não ser identificado, já perdeu as contas de quantas vezes o posto foi assaltado. Nesta semana, um mesmo homem roubou duas vezes, em menos de 12 horas, sua loja de conveniência.

Sensação de impunidade ajuda a manter a prática criminosa

Na avaliação de especialistas em segurança pública, a sensação de impunidade existente na sociedade é um dos motivos para as câmeras não intimidarem os criminosos. “Há um fetiche da mercadoria, mas os equipamentos sozinhos não vão resolver o problema. A câmera ou qualquer instrumento só funciona quando se tem um aparato de segurança pública eficiente e de pronta resposta, que pune realmente os infratores”, afirmou o coordenador do Núcleo de Estudos Sociopolíticos da Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais (PUC Minas), Robson Sávio.
Para ele, falta articulação entre instituições policiais e judiciárias. “Se o sistema de investigação, punição e prevenção não funciona, não adianta a tecnologia”.

Saiba mais

Demanda. Segundo especialistas do setor, falta mão de obra qualificada no mercado para operar os sistemas eletrônicos adequadamente.

Expectativa.  Com os grandes eventos que o Brasil receberá até o ano de 2016, a expectativa é que o mercado de segurança eletrônica fique ainda mais movimentado, com projeção de 10% de crescimento por ano.

Divisão

Regiões. A maior concentração de câmeras de segurança particulares em Belo Horizonte está na região central, principalmente nas áreas comerciais, segundo informações da Abese.

 O Tempo 
 

 

Scroll To Top