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Viagem a BH expõe pacientes a riscos da ‘Rodovia da Morte’

Sem atendimento de média e alta complexidade, mineiros do interior enfrentam perigos nas estradas

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Deslocamento. Grupo de pacientes de São Gonçalo do Rio Abaixo vem à capital se tratar toda semana
PUBLICADO EM 01/12/13 – 03h00
 

São Gonçalo do Rio Abaixo. “Sempre vemos carros que capotaram, então rezo para que nada aconteça conosco”, desabafa a aposentada Célia Benício, 63, que na última quinta-feira embarcou em um micro-ônibus do Sistema Estadual de Transporte em Saúde em São Gonçalo do Rio Abaixo, na região Central, para consultar com um cardiologista em Belo Horizonte. Ao acompanhar a viagem de Célia e de outros 24 pacientes pela BR–381 – conhecida como Rodovia da Morte –, a reportagem de O TEMPO presenciou riscos como motoristas de carretas em alta velocidade usando a contramão para cortar o veículo, mesmo debaixo de chuva e em pista simples.
A imprudência que causa medo se repete em trechos do trajeto de 700 quilômetros da BR–381 entre Pedra Azul, no Vale do Jequitinhonha, e Belo Horizonte. “A gente fica apreensivo, porque a rodovia é perigosa, há muita imprudência, e com chuva é pior”, conta a dona de casa Sandra dos Santos, 42. Na última terça-feira, ela se juntou a outros 49 pacientes e embarcou rumo à capital em um micro-ônibus em Pedra Azul, para retorno de uma cirurgia na mão.

Entre os passageiros, havia gente em busca de tratamento para câncer e exames pré-cirúrgicos, mas também de consultas com ginecologista – especialidade que falta em Pedra Azul. “Por três vezes, fizemos licitação para contratar especialistas como oftalmologistas e neurologistas três vezes. Por isso, fazemos acordos para que Belo Horizonte receba nossos pacientes”, disse o secretário de saúde da cidade, Maurílio de Morais.

A Secretaria Municipal de Saúde da capital informou que atende a pacientes de ao menos 700 prefeituras de Minas. Segundo a Secretaria de Estado de Saúde (SES), desde 2003, cerca de 8 milhões de mineiros do interior usaram veículos disponibilizados pelo Sistema Estadual de Transporte em Saúde.

A SES informou que os consórcios intermunicipais de saúde – atualmente 48 no Estado – são uma alternativa para evitar os longos deslocamentos. “O ideal é ter um município polo em cada região, mas serviços de alta complexidade, na maior parte dos casos, só são ofertados na capital, devido ao alto custo e à escassez de profissionais qualificados”, admite a chefe de gabinete da SES, Marta de Sousa Lima. 

Acidente fatal. Na última segunda-feira, 14 pessoas morreram e 11 se feriram em batida na BR–251, entre uma carreta e um micro-ônibus que levava pacientes de Rubelita para Montes Claros, ambas no Norte do Estado.

Fonte: O tempo

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